O Sport sofreu para vencer o Criciúma, por 1×0, na Ilha do Retiro. Foi o típico de jogo que a equipe entrou em campo desarticulada, ansiosa e sem uma coesão em campo. Parecia um bando dentro de campo. Mas venceu e chegou aos 60 pontos. Faltando quatro rodadas para o fim da Série B, o Sport está na segunda colocação com oito pontos a mais do que o América, o quinto colocado. Ou seja, só uma catástrofe pode tirar o Leão da Série A do ano que vem.
É claro que jogadores, dirigentes e comissão técnica ainda não podem festejar. Ainda é preciso que a matemática confirme o acesso. Mas para mim, não tem essa. Estou fora de campo. A torcida também. Portanto, já encaro o Sport de volta à Série A em 2020. Por isso, nessa postagem, não vou avaliar a atuação do time na partida contra os catarinenses. Vou pontuar algumas características do time rubro-negro na temporada e que podem ser modificado para o ano seguinte.
Goleiros – Dizem que todo bom time começa por um grande goleiro. O Sport teve complicações nessa posição. Primeiro, pelo seu ídolo. Magrão não começou bem a temporada e não aceitou ser reserva de Maílson. Não quis saber de idolatria, de amor à torcida. Foi embora e priu! O jovem Maílson assumiu o pepino. Levou alguns perus, naturais de quem tá começando a carreira, mas passou a ser questionado. Sofreu uma lesão e Luan Polli pegou a bronca. Tá se garantindo. Contra o Criciúma fez uma defesa que fez torcida comemorar como se fosse um gol. Mas também é jovem. Felipe foi contratado recentemente, mas que não tem o perfil de referência. O Leão precisa de um goleiro pára-raio, experiente e que sirva de espelho para Polli, Maílson e até para Felipe, mesmo ele já sendo mais rodado.
Camisa 10 – Cada vez mais raro no futebol brasileiro. Portanto, seria cruel exigir que o Sport tivesse um cérebro ou maestro no time. Ultimamente, quem fazia esse papel eram os volantes. Rithely já foi o armador, Patrick também, assim como Anselmo, que tava fazendo de tudo (marcando, armando e fazendo gols), quando foi embora. Leandrinho tem sido o homem que conduz o time ao ataque. Mas é irregular demais. Fisicamente, deixa a desejar. Contra o Criciúma, rodou tanto que pouco produziu. O volume de jogo ofensivo do Sport depende muito da postura coletiva da equipe. Isso é bom. Mas em certos casos, como na partida do sábado, um armador inteligente descomplicaria a situação, mas o Sport não tem. As últimas contratações da diretoria não surtiram efeito. E o Leão vai subindo com o que tem nas mãos e a uma Série B tecnicamente meia-boca.
Atitude – Quando o Sport começou a temporada com Milton Cruz no comando, pensei que o time iria viver uma temporada sofrível, sofrível. No primeiro clima de crise, Milton pediu arrego foi embora. A chegada de Guto Ferreira fez a equipe mudar seu comportamento. E o fato de só disputar o Estadual facilitou a conquista. O foco foi só no Pernambucano. Na Série B, o Sport, ao meu ver tem um bom grupo. Que poderia está disputando o título da competição com o Bragantino se não fosse a acomodação em alguns jogos. Vejam bem: mesmo estando no G-4 há um bom tempo, o torcedor do Leão tem desconfianças com a equipe. Isso é notório e me impressiona bastante. Tem partidas que o time entra em campo com uma preguiça de doer a vista. Mesmo assim, na maioria dos casos, empatou e até venceu. Isso fez com que o Sport não tivesse fome de vitória na maioria dos jogos. Lembro apenas de duas partidas intensas do time rubro-negro: Bragantino e Paraná, ambas na Ilha. Pouco. Mesmo assim, o Sport conseguiu seu objetivo.
Guto Ferreira – Grande responsável pelo perfil da equipe rubro-negra nesta Série B. Não sei se é o estilo dele, se ele acredita que o time não precisa colocar a carga máxima para vencer, ou se ele dosa a intensidade da equipe pelo adversário, ou por conta da logística das viagens. São várias possibilidades. Eu só sei que o Sport joga sempre sem a força máxima. E isso tem muito a ver com o estilo do comandante. As mudanças, na maioria dos casos, são obvias. Ninguém ainda entendeu sua preferência por Elton. Talvez seja por falta de peças ou porque o jogador tem um estilo parecido com o de Hernanes. Enfim, acho que com o acesso, o Sport precisa mudar seu perfil. Guto declarou, certa vez, que a Série B não está fraca tecnicamente. Discordo. O Bragantino disparou com um elenco tecnicamente inferior ao Leão. A diferença foi a intensidade que o time paulista colocou nos seus jogos.